Desenrola Adimplentes mira uma realidade brasileira: renda variável e trabalho informal.

O avanço do Desenrola Adimplentes traz um sinal importante para o mercado de crédito: a recuperação financeira do consumidor brasileiro precisa considerar a realidade de quem não tem renda fixa, holerite mensal ou previsibilidade de recebimento.

A nova modalidade do programa foi anunciada com foco em trabalhadores informais adimplentes, permitindo a troca de dívidas com juros mais altos por uma nova linha de crédito com taxa máxima de 1,99% ao mês. Segundo informações públicas, a medida contempla operações de até R$ 15 mil por banco, com condições mais favoráveis para reorganização financeira.

Esse movimento conversa diretamente com a estrutura do mercado de trabalho no Brasil.

Segundo dados divulgados pelo IBGE, no 2º trimestre de 2026, 37,4% da população ocupada estava na informalidade. No trimestre anterior, 25,5% dos ocupados trabalhavam por conta própria.

Ou seja, quando quase 4 em cada 10 trabalhadores estão na informalidade, a régua de cobrança tradicional — baseada em contato linear, baixa personalização e pouca flexibilidade — tende a perder eficiência.

Para empresas credoras, o recado é claro: muitos consumidores têm capacidade de pagamento, mas nem sempre no mesmo dia, no mesmo valor ou dentro da mesma lógica de um trabalhador assalariado.

Nesse cenário, recuperar crédito exige mais do que cobrar. Exige tecnologia, dados, canais digitais e jornadas de negociação capazes de se adaptar a diferentes perfis de renda.

A inadimplência muda. A estratégia de recuperação também precisa mudar.

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